Os homens não deixam de fabricar um guarda-sol que os abriga, por baixo do qual traçam um firmamento e escrevem suas (…) opiniões; mas o poeta, o artista abre uma fenda no guarda-sol, rasga até o firmamento, para fazer passar um pouco do caos (…) e enquadrar numa luz brusca, uma visão que aparece através da fenda (…) Então, segue a massa dos imitadores, que remendam o guarda-sol com uma peça que parece vagamente com a visão; e a massa dos glosadores que preenchem a fenda com opiniões: comunicação. Será preciso sempre outros artistas para fazer outras fendas (…) e restituir assim (…) a incomunicável novidade que não mais se podia ver. (DELEUZE e GUATTARI, n´O que é a filosofia?, 1992, p.261-261).
Hoje fazem dezoito dias que acabaram-se os anos 00. Como a gente vai chamar a década 00 daqui a uns 10 anos, quando os cabelos estilo Strokes e a combinação terno+allstar voltarem à moda? “Anos zero-zero” me parece tão estranho.
Passei algum tempo deste começo de ano pensando nesta última década. Não fiz isso para vir aqui e escrever uma retrospectiva, mas por que alguma coisa em mim disparou essa necessidade de pensar um pouquinho no que os anos 00 fizeram por mim.
E o “gatilho” que disparou em mim essa vontade foi assistir, em DVD, a participação do Elastica no Programa do Jools Holland, em 1994.
É engraçado rever este video agora, tantos anos depois. Estas meninas foram minhas “gurus de estilo” por muito tempo: o estilo de vestir, o cabelo curto, a cara lavada. Na minha opinião, só me faltou o sweetheart vocalista do Blur pra que fosse a Justine em 1996.

puta mundo injusto, meu
Nos anos 90, eu tinha com a música uma relação muito parecida com a que tenho hoje. Eu ouvia falar das bandas e discos pelas revistas que lia. Eu lia QUALQUER revista de rock: Bizz (depois ShowBizz, depois Bizz de novo), Rock Brigade, General, Top Rock (não pergunte), Dynamite (como assim, ainda existe a Dynamite?). Eu tinha uma FOME DESESPERADA por conhecer música nova. E colecionava revistas, lendo reviews de discos que eu não sabia quando teria a oportunidade de ouvir – mas que eu sabia que ia gostar. “Crooked Rain, Crooked Rain” do Pavement foi um desses: eu já sabia que ia amar muito antes de ouvir “Cut Your Hair”.
E esta foi uma música (e uma banda) que eu conheci por que um amigo que tinha um primo que tinha tv a cabo em Porto Alegre gravou pra ele uns clipes da MTV num VHS. Seis horas de videoclipes. Só pra nós.
Quem teve uma adolescência endinheirada ou mais perto de cidades maiores deve rir de tanto anacronismo. Mas lhes digo: era complicado ser gauche na música em 96. Era difícil gostar de coisas que mal existiam. Era difícil ler sobre músicas e só conhecê-las dois anos depois. Era chato ler sobre os clássicos na “Discoteca Básica” sem ter de onde tirar o Velvet Underground & Nico pra gravar num k-7.
Eu posso pontuar aqui as zilhões de diferenças entre saber da existência de banda ao ler a Bizz (como fazíamos em 1994) e conhecer bandas hoje, através do Pitchfork ou do Gorilla Versus Bear. Eu posso mencionar a imensurável e constante oferta, uma vez que eu posso conhecer umas dez bandas por dia se dedicar algum tempo a isso. Eu posso também mencionar a abundância de espaço para a divulgação de toda essa diversidade; nenhum editor vai cortar do Pitchfork o review do último EP do Animal Collective por falta de espaço, por que o review da Lady Gaga vai ocupar todo o espaço disponível. Etc. Etc.
Mas eu não quero pensar em nada disso, então vou assistir ao último clipe do Vampire Weekend pela milésima vez.
E ao ver esse videoclipezinho, eu fico feliz por cada uma das influências que percebo. E fico feliz por esse estilo visual Michel-Gondry-esque estar na moda. E fico feliz por poder ver os filmes do Michel Gondy, pois mesmo quando eles não passam no cinema, existem outras formas de acessá-los. Fico feliz por poder percorrer, um a um, todos os itens da filmografia do Woody Allen, do Judd Apatow, de quem mais eu quiser. Fico feliz por cada EP que o Animal Collective lança. Fico saltitante por cada lista de melhores discos de 2009 que eu leio. Novas coisas pra conhecer, mas agora não mais dois anos depois.
E eu fico feliz, especialmente feliz, por ainda ter aquela FOME DESESPERADA que me caracterizava, lá em 1996.
2009 foi um ano muito incomum pra mim.
Foi um ano de reclusão. Passei muito tempo refletindo, considerando, absorvendo, e pouco tempo exteriorizando as sensações e ideias resultantes desses processos internos. Talvez por isso mesmo, neste ano a maneira como vejo o mundo foi significativamente modificada.
De alguns meses pra cá, tenho tentado transferir essas modificações de percepção para as minhas ações. como no raciocínio de Foucault que já postei no blog (outro endereço, mesmo arquivo): “Que devo ser eu, eu que penso e que sou o meu pensamento, para eu ser o que eu não penso, para que o meu pensamento seja o que eu não sou?”
Uma das mudanças que vem acontecendo e que assumo como “resolução de ano-novo” é escrever mais; acreditar que as coisas que penso merecem registro, mesmo que o registro sirva apenas como meu (e só meu) companheiro.
O convite do Matias para hospedar meu blog no incerteza.org veio junto com tudo isso. Resolvi transferir pra cá o meu Stop Making Sense, mas com uma modificação: mesclei a ele o meu blog de pesquisa, que estava hospedado em outro lugar. Acabou-se, pra mim, a necessidade de separar o que é pessoal, o que é profissional, o que é pesquisa, o que é diversão. Finalmente entendi a frase do Mcluhan: “Anyone who tries to make a distinction between education and entertainment doesn’t know the first thing about either.”
E que 2010 seja um ano pra derrrubar outros muros e outras certezas. :)
Me ocorre que a ideia de rizoma está ligada à ideia de crescimento não-ordenado. De ocupação e (re)formação de territórios, de invasões selvagens (mas também de espaços formais, previstos, calculados – Brasília ou a minha zona portuária pelotense); O rizoma inclui tudo isso, inclui o liso e o estriado? A Zona Autônoma Temporária e a Tradição, Família e Propriedade? Inclui o google books e o 4shared?
Post indecentemente surrupiado do blog do Douglas Dickel, que anda lendo as mesmas coisas que eu.
Gilles Deleuze – O ato de criação
Palestra de 1987. Folha de São Paulo, 27/06/1999. Tradução: José Marcos Macedo.
Uma voz fala de alguma coisa. Fala-se de alguma coisa. Ao mesmo tempo, nos fazem ver outra coisa. E enfim, aquilo de que nos falam está sob aquilo que nos fazem ver. Esse terceiro ponto é importantíssimo. (…) O que é isso senão aquilo que somente o cinema pode fazer? Não digo que ele o deva fazer, mas que o cinema o fez duas ou três vezes, que foram grandes cineastas que tiveram essa ideia. Eis uma ideia cinematográfica. Ela é prodigiosa porque assegura ao âmbito do cinema uma verdadeira transformação dos elementos, um ciclo que, de um golpe, capacita o cinema a fazer eco a uma física qualitativa dos elementos. Isso produz uma espécie de transformação, uma grande circulação de elementos no cinema a partir do ar, da terra, da água e do fogo. Em tudo o que eu digo, a história não é suprimida.
A história está sempre presente, mas o que nos espanta é o fato de a história ser tão interessante pela própria razão de ter tudo isso atrás dela e com ela. Nesse ciclo que acabo de definir tão rapidamente — a voz se ergue ao mesmo tempo que aquilo de que nos fala, voz afunda-se na terra — vocês reconheceram a maioria dos filmes dos Straub, o grande ciclo dos elementos dos Straub. O que vemos não é mais do que a terra deserta, mas essa terra deserta é como grávida daquilo que ela tem debaixo. E vocês me dirão: mas o que sabemos daquilo que ela tem debaixo? Ora, justamente aquilo de que nos fala a voz. Como se a terra se arqueasse em razão daquilo que a voz nos diz, e que vem tomar assento sob a terra em seu tempo e em seu lugar. E, se a voz nos fala de cadáveres, de toda a linhagem de cadáveres que vem tomar assento sob a terra, nesse momento, o menor frêmito de vento sobre a terra deserta, sobre o espaço vazio que vocês têm sob os olhos, o menor sulco nessa terra adquire todo o seu sentido. (…)
Ora, o que é uma informação? Não é nada complicado, todos o sabem: uma informação é um conjunto de palavras de ordem. Quando nos informam, nos dizem o que julgam que devemos crer. Em outros termos, informar é fazer circular uma palavra de ordem. As declarações da polícia são chamadas, a justo título, comunicados. Elas nos comunicam informações, nos dizem aquilo que julgam que somos capazes ou devemos ou temos a obrigação de crer. Ou nem mesmo crer, mas fazer como se acreditássemos. Não nos pedem para crer, mas para nos comportar como se crêssemos. Isso é informação, isso é comunicação; à parte essas palavras de ordem e sua transmissão, não existe comunicação. O que equivale a dizer que a informação é exatamente o sistema do controle. Isso é evidente, e nos toca de perto hoje em dia.
É verdade que entramos numa sociedade que podemos chamar sociedade de controle. Um pensador como Michel Foucault analisara dois tipo de sociedades bastante próximas de nós: as sociedades de soberania e as sociedades disciplinares. (…) A sociedade disciplinar definia-se . . . pela constituição de meios de enclausuramento: prisões, escolas, oficinas, hospitais. As sociedades disciplinares tinham necessidade disso. (…) É claro que existe todo tipo de resquício de sociedades disciplinares, que persistirão por anos a fio, mas já sabemos que nossa vida se desenrola numa sociedade de outro tipo, que deveria chamar-se, segundo o termo proposto por William Burroughs — e Foucault tinha por ele uma viva admiração —, de sociedades de controle.
Entramos então em sociedades de controle que diferem em muito das sociedades de disciplina. Aqueles que velam por nosso bem não têm ou não terão mais necessidade de meios de enclausuramento.
Com uma estrada não se enclausuram pessoas, mas, ao fazer estradas, multiplicam-se os meios de controle. Não digo que esse seja o único objetivo das estradas, mas as pessoas podem trafegar até o infinito e “livremente”, sem a mínima clausura, e serem perfeitamente controladas. Esse é o nosso futuro.
Suponhamos que a informação seja isso, o sistema controlado das palavras de ordem que têm curso numa dada sociedade. O que a obra de arte pode ter a ver com isso?
Não falemos de obra de arte, mas digamos ao menos que existe a contra-informação. Em países sob ditadura cerrada, em condições particularmente duras e cruéis, existe a contra-informação. No tempo de Hitler, os judeus que chegavam da Alemanha e que foram os primeiros a nos contar sobre os campos de extermínio faziam a contra-informação. O que é preciso constatar é que a contra-informação nunca foi suficiente para fazer o que quer que fosse. Nenhuma contra-informação foi capaz de perturbar Hitler. Salvo num caso. Que caso? Isso é de vital importância. A única resposta seria que a contra-informação só se torna eficaz quando ela é — e ela o é por natureza — ou se torna um ato de resistência. E o ato de resistência não é nem informação nem contra-informação. A contrainformação só é efetiva quando se torna um ato de resistência.
Qual a relação entre a obra de arte e a comunicação? Nenhuma. A obra de arte não é um instrumento de comunicação. A obra de arte não tem nada a ver com a comunicação. A obra de arte não contém, estritamente, a mínima informação. Em compensação, existe uma afinidade fundamental entre a obra de arte e o ato de resistência. Isto sim. Ela tem algo a ver com a informação e a comunicação a título de ato de resistência.
Qual a relação misteriosa entre uma obra de arte e um ato de resistência, uma vez que os homens que resistem não têm nem o tempo nem talvez a cultura necessários para relacionar-se minimamente com a arte?
Não sei. André Malraux (escritor e diretor francês, 1901-1976) desenvolve um belo conceito filosófico: ele diz uma coisa bem simples sobre a arte, diz que ela é a única coisa que resiste à morte. (…)
Eu tenho um fato que é dado – a irreversível popularização das TICs, e mais especificamente, das Redes Sociais entre os sujeitos da sociedade atual. Eu tenho também a percepção de que estas tecnologias são parte de uma estratégia de controle, conforme Deleuze, que substitui o poder disciplinar diagnosticado pelo Foucault. E aí eu tenho a necessidade do espaço escolar (e de qualquer espaço formador) como um ambiente que viabilize uma leitura crítica da realidade dada. A partir daí, eu posso (qualquer um pode) pensar em revouluções moleculares (Guattari): em subversões que transformem estas estratégias de poder em outras coisas, em novas possibilidades de vida. Eu posso tentar corromper o sistema de dentro dele, Fight-Club-Style. E pra isso eu posso me aproveitar das características específicas destas mesmas tecnologias: o rizoma, a descentralização, a conexão.
Engraçada a maneira como parece que as coisas nos perseguem quando estamos pensando nelas. Twist your head around, it´s all around you.
Hoje topei com essa entrevista do Pierre Levy ao G1. Levy está genuinamente interessado em sistematizar um protocolo para “automatizar a inteligência coletiva”.
Portanto, o que precisamos é de uma metalinguagem, que possa ser completamente manipulável por sistemas automáticos e, ao mesmo tempo, possa ser usada para expressar qualquer tipo de ideia, ponto de vista ou teoria. Se ela limitar a expressão de uma teoria, ou de uma interpretação, não serve. Pelo contrário: ela deve ajudar a aumentar a diversidade de pontos de vista. Talvez não seja a língua que eu criei que será a base dessa revolução científica, mas haverá algo nesses moldes. E eu acredito que devemos iniciar em breve as primeiras tentativas.
Outra passagem interessante (puxando brasa para o meu assado):
No momento, eu chamo essa pessoa de “engenheiro semântico”. Há um lado de engenharia e um lado de ciências humanas. É algo que vai requerer um treinamento especial, provavelmente, mas como todas as profissões. Eu reconheço que, no momento, esses profissionais não existem. Algumas pessoas estão se autodenominando “arquitetos da informação” ou “engenheiros de conhecimento”. Então já surgem, de forma dispersa, os primeiros núcleos de profissionais dessa área, o que significa que não vamos partir do zero. Mas, claramente, mesmo esses profissionais de agora precisarão evoluir. Mesmo porque estou falando do futuro, de coisas que não existem ainda agora.
O verão vem chegando, e eu não antevejo a queda na minha atividade leitora anunciada pelo Jeff Tweedy.
Das leituras que tem me empolgado:
Silvio Gallo, Deleuze e a Educação

Comprei na minha última ida à Porto Alegre, por ocasião do Congresso Internacional de Educação na Unisinos. Devorei o livrinho em pouco tempo, e depois o reli em busca de passagens para tomar nota e conceitos nos quais deveria me aprofundar. Uma ideia que tirou o sono, no bom sentido, foi a transposição de Sílvio Gallo do conceito de “rizoma” para dentro do universo da educação.
Conforme Deleuze, em entrevista publicada no jornal “Liberácion”,
O que Guattari e eu chamamos rizoma é precisamente um caso de sistema aberto. Volto à questão: o que é filosofia? Porque a resposta a essa questão deveria ser muito simples. Todo mundo sabe que a filosofia se ocupa de conceitos. Um sistema é um conjunto de conceitos. Um sistema aberto é quando os conceitos são relacionados a circunstâncias e não mais a essências. Mas por um lado os conceitos não são dados prontos, eles não preexistem: è preciso inventar, criar os conceitos, e há aí tanta invenção e criação quanto na arte ou na ciência.
Esta relação entre conceitos e circunstâncias que caracteriza um sistema aberto (e por consequência, um rizoma), é perfeitamente relacionável com a maneira como funciona o hiperlink (que é fundamentalmente o meu instrumento de trabalho).
Suely Rolnik, Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo

Encontrei a Suely por causa de um texto que foi crucial pra que eu finalmente compreendesse o que é a subjetividade para Deleuze e Guattari.
Arriscarei uma hipótese: a concepção de subjetividade de Deleuze e Guattari, implicada em sua teoria da clínica (a qual, por vezes, eles chamaram de “esquizoanálise”), faria eco a um dos princípios constitutivos das subjetividades no Brasil. Chamarei esse princípio de “antropofágico”, trazendo para a esfera da subjetividade, e reinterpretando, aquilo que o Movimento Antropofágico apontou no domínio da estética e da cultura brasileiras.
Interessante. O conceito me atravessou no momento em que a Suely o reterritorializou, comparando-o a algo que já era familiar para mim (a antropofagia, conceito tão querido a mim e a tantos outros estudantes de arte). Era disso que Deleuze falava, quando falava em fazer rizoma, conexões, trabalhar o “entre dois”?
O livro Cartografia Sentimental – que chegou em minhas mãos através da minha orientadora Rosária Sperotto, em uma edição muito bonita, diferente da que ilustra este post – me fala de um fazer-cartografia que vai em busca de “mergulhar na geografia dos afetos e, ao mesmo tempo, inventar pontes para fazer sua travessia: pontes de linguagem.”
Exato o que pretendo. A leitura vem sendo energizante. :)
Esta minha recente familiarização com as ideias de Deleuze tem me mostrado que que ele é o mais perto que eu vou chegar de uma unified theory of everything. Espero, enfim, ainda estar por aqui quando o século for finalmente Deleuziano.
Estava lendo este post do Orlando, no blog Netnografando, e fiquei pensando nesta questão que ele coloca. Folksonomia é subjetividade?
Curiosamente, a questão me atinge enquanto estou em busca de uma metodologia de organização para as minhas leituras e estudos. A arquitetura de informação, meu principal campo de atuação profissional, me instrumentalizou com alguns conceitos e (por que não?) cacoetes referentes à organização das coisas. Para um exemplo disso, basta olhar no meu flickr como é o papel de parede do meu computador.

No meu novo computador, criei uma estrutura de pastas para organizar as leituras.

Enquanto organizava estas leituras, várias falhas no meu método apareceram. Vários textos a serem armazenados comporiam, tranquilamente, o conteúdo de duas, três pastas criadas. Eu precisaria de um sistema de palavras-chave, ou de organização pela metainformação para dar conta desta característica dos textos. Então, resolvi instalar uma wiki no meu computador, onde poderei armazanar o conteúdo estudado de forma mais rizomática, anti-hierárquica. Folksonômica?
A folksonomia (e também a minha taxonomia pessoal, enquanto crio e organizo pastas pessoais) é uma manifestação da minha subjetividade, enquanto se produz (e se manifesta) em espaços individuais, coletivos e institucionalizados. Eu “tagueio” o conteúdo para mim e para os outros; tagueio para não me perder dele, e tagueio para que os outros possam encontrá-lo e saber que já passei por ali. Os links guardados no meu delicious mapeiam os meus interesses pessoais, os meus modos de pensar, as minhas afinidades temáticas. Se eu organizar meus links cronologicamente, inclusive, percebo como meus interesses metamorfoseiam-se ao decorrer dos dias, meses, anos (sou uma usuária antiga do delicious). É possível me cartografar pela maneira como organizo a informação que acesso, que guardo, que compartilho.
March 9, 2010
