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Saxx Laws

Ontem à noite, eu e o Ricardo morremos de rir enquanto fuçávamos o site do Beck. Encontramos lá uma hilária versão do clipe de Sexx Laws, do disco Midnite Vultures. Conta o Beck, no seu blog, que esta versão foi feita como citação / homenagem / pastiche das músicas do Kenny G. Inclusive o baixista da banda do Beck se prestou a se vestir como Kenny G para interpretar o músico no vídeo.

Eis a (também ótima) versão original de Sexx Laws:

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função da arte revisited #2

“O que me surpreende é o fato de que, em nossa sociedade, a arte tenha se transformado em algo relacionado apenas a objetos e não a indivíduos ou à vida; que a arte seja algo especializado ou feito por especialistas que são artistas. Entretanto, não poderia a vida de todos se transformar numa obra de arte? Por que deveria uma lâmpada ou uma casa ser um objeto de arte, e não a nossa vida?” (Foucault)

Músicas que não consigo ouvir sem chorar #2

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eu hein

Não bastasse o choque de saber que o Glauco e seu filho Raoni foram assassinados, agora a gente ainda tem que aguentar um bando de porcariazinhas chamando o cara de “drogado” e dizendo que o culto “era desculpa pra se alucinar”.

Arnaldo-Jabor-sobre-Dimebag-Darrell feelings, hein.

Biblioteca de anamargarites – Usuários na Last.fmNenum retrato meu é tão fidedigno. :)

a summer wasting

Summer in winter
Winter in springtime
You heard the birds sing
Everything will be fine
I spent the summer wasting
The time was passed so easily
But if the summer’s wasted
How come that I could feel so free
I spent the summer wasting
The sky was blue beyond compare
A photograph of myself
Is all I have to show for
Seven weeks of river walkways
Seven weeks of staying up all night
I spent the summer wasting
The time was passed so pleasantly
Say cheerio to books now
The only things I’ll read are faces
1 spent the summer wasting
Under a canopy of
Seven weeks of reading papers
Seven weeks of river walkways
Seven weeks of feeling guilty
Seven weeks of staying up all night
Summer in winter
Winter is springtime
You heard the bird say
Everything will be fine

função da arte revisited

Os homens não deixam de fabricar um guarda-sol que os abriga, por baixo do qual traçam um firmamento e escrevem suas (…) opiniões; mas o poeta, o artista abre uma fenda no guarda-sol, rasga até o firmamento, para fazer passar um pouco do caos (…) e enquadrar numa luz brusca, uma visão que aparece através da fenda (…) Então, segue a massa dos imitadores, que remendam o guarda-sol com uma peça que parece vagamente com a visão; e a massa dos glosadores que preenchem a fenda com opiniões: comunicação. Será preciso sempre outros artistas para fazer outras fendas (…) e restituir assim (…) a incomunicável novidade que não mais se podia ver. (DELEUZE e GUATTARI, n´O que é a filosofia?, 1992, p.261-261).

Músicas que não consigo ouvir sem chorar #1

Book of love, do Peter Gabriel. Também choro quando ouço a versão do Magnetic Fields.

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eu era infeliz e não sabia

Hoje fazem dezoito dias que acabaram-se os anos 00. Como a gente vai chamar a década 00 daqui a uns 10 anos, quando os cabelos estilo Strokes e a combinação terno+allstar voltarem à moda? “Anos zero-zero” me parece tão estranho.
Passei algum tempo deste começo de ano pensando nesta última década. Não fiz isso para vir aqui e escrever uma retrospectiva, mas por que alguma coisa em mim disparou essa necessidade de pensar um pouquinho no que os anos 00 fizeram por mim.

E o “gatilho” que disparou em mim essa vontade foi assistir, em DVD, a participação do Elastica no Programa do Jools Holland, em 1994.

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É engraçado rever este video agora, tantos anos depois. Estas meninas foram minhas “gurus de estilo” por muito tempo: o estilo de vestir, o cabelo curto, a cara lavada. Na minha opinião, só me faltou o sweetheart vocalista do Blur pra que fosse a Justine em 1996.

puta mundo injusto, meu

puta mundo injusto, meu

Nos anos 90, eu tinha com a música uma relação muito parecida com a que tenho hoje. Eu ouvia falar das bandas e discos pelas revistas que lia. Eu lia QUALQUER revista de rock: Bizz (depois ShowBizz, depois Bizz de novo), Rock Brigade, General, Top Rock (não pergunte), Dynamite (como assim, ainda existe a Dynamite?). Eu tinha uma FOME DESESPERADA por conhecer música nova. E colecionava revistas, lendo reviews de discos que eu não sabia quando teria a oportunidade de ouvir – mas que eu sabia que ia gostar. “Crooked Rain, Crooked Rain” do Pavement foi um desses: eu já sabia que ia amar muito antes de ouvir “Cut Your Hair”.

E esta foi uma música (e uma banda) que eu conheci por que um amigo que tinha um primo que tinha tv a cabo em Porto Alegre gravou pra ele uns clipes da MTV num VHS. Seis horas de videoclipes. Só pra nós.

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Quem teve uma adolescência endinheirada ou mais perto de cidades maiores deve rir de tanto anacronismo. Mas lhes digo: era complicado ser gauche na música em 96. Era difícil gostar de coisas que mal existiam. Era difícil ler sobre músicas e só conhecê-las dois anos depois. Era chato ler sobre os clássicos na “Discoteca Básica” sem ter  de onde tirar o Velvet Underground & Nico pra gravar num k-7.

Eu posso pontuar aqui as zilhões de diferenças entre saber da existência de banda ao ler a Bizz (como fazíamos em 1994) e conhecer bandas hoje, através do Pitchfork ou do Gorilla Versus Bear. Eu posso mencionar a imensurável e constante oferta, uma vez que eu posso conhecer umas dez bandas por dia se dedicar algum tempo a isso. Eu posso também mencionar a abundância de espaço para a divulgação de toda essa diversidade; nenhum editor vai cortar do Pitchfork o review do último EP do Animal Collective por falta de espaço, por que o review da Lady Gaga vai ocupar todo o espaço disponível. Etc. Etc.

Mas eu não quero pensar em nada disso, então vou assistir ao último clipe do Vampire Weekend pela milésima vez.

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E ao ver esse videoclipezinho, eu fico feliz por cada uma das influências que percebo. E fico feliz por esse estilo visual Michel-Gondry-esque estar na moda. E fico feliz por poder ver os filmes do Michel Gondy, pois mesmo quando eles não passam no cinema, existem outras formas de acessá-los. Fico feliz por poder percorrer, um a um, todos os itens da filmografia do Woody Allen, do Judd Apatow, de quem mais eu quiser. Fico feliz por cada EP que o Animal Collective lança. Fico saltitante por cada lista de melhores discos de 2009 que eu leio. Novas coisas pra conhecer, mas agora não mais dois anos depois.

E eu fico feliz, especialmente feliz, por ainda ter aquela FOME DESESPERADA que me caracterizava, lá em 1996.

2010

2009 foi um ano muito incomum pra mim.
Foi um ano de reclusão. Passei muito tempo refletindo, considerando, absorvendo, e pouco tempo exteriorizando as sensações e ideias resultantes desses processos internos. Talvez por isso mesmo, neste ano a maneira como vejo o mundo foi significativamente modificada.

De alguns meses pra cá, tenho tentado transferir essas modificações de percepção para as minhas ações. como no raciocínio de Foucault que já postei no blog (outro endereço, mesmo arquivo): “Que devo ser eu, eu que penso e que sou o meu pensamento, para eu ser o que eu não penso, para que o meu pensamento seja o que eu não sou?”

Uma das mudanças que vem acontecendo e que assumo como “resolução de ano-novo” é escrever mais; acreditar que as coisas que penso merecem registro, mesmo que o registro sirva apenas como meu (e só meu) companheiro.
O convite do Matias para hospedar meu blog no incerteza.org veio junto com tudo isso. Resolvi transferir pra cá o meu Stop Making Sense, mas com uma modificação: mesclei a ele o meu blog de pesquisa, que estava hospedado em outro lugar. Acabou-se, pra mim, a necessidade de separar o que é pessoal, o que é profissional, o que é pesquisa, o que é diversão. Finalmente entendi a frase do Mcluhan: “Anyone who tries to make a distinction between education and entertainment doesn’t know the first thing about either.”

E que 2010 seja um ano pra derrrubar outros muros e outras certezas. :)